Pesquisa sinaliza para eleição municipal mais pragmática e menos ideológica

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O tradicional esquema de “seta de carro” deve perder ainda mais espaço nas eleições para prefeito e vereador daqui a pouco mais de ano. O pragmatismo deve ser mais preponderante no poder de decisão de voto do eleitor, que as questões ideológicas, como se o candidato é de espectro de direita ou de esquerda. Essa é uma tendência indicada pela recente pesquisa do IPEC (antigo IBOPE) ao revelar recorde do nível de confiança dos eleitores nas instituições e partidos políticos e, na outra ponta, queda acentuada na confiança dos entrevistados nas Forças Armadas.

Antes de aprofundar na análise, é preciso ter muito claro que, quanto mais próximo o cargo em disputa é do cidadão, mais pragmático é o eleitor. Ou seja: é como se o eleitor olhasse para o espelho e votasse em si, isto é, o eleitor escolhe alguém com quem mais se identifica, aliada à sensação de ganho de bem-estar futuro: “o que este sujeito (candidato) vai fazer para melhor a minha vida, a partir da rua onde moro?”.

Cada eleição é um contexto

O candidato que molda sua estratégia eleitoral, em um pleito municipal, baseada na conjuntura nacional está a um passo do fracasso nas urnas. De fato, nas eleições presidenciais e para a Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, o quesito ideológico ou temático tem forte influência sobre o pensamento do eleitor. Quando o que está em jogo é a cidade onde vivo, a regra se altera consideravelmente, como ponderado há pouco.

Esse pragmatismo em detrimento à ideologia foi visível em 2020, quando o então presidente Jair Bolsonaro não conseguiu eleger seus candidatos nas principais capitais, por exemplo.

Outro detalhe essencial relacionado ao pragmatismo: o contexto político-eleitoral do pleito. Pesquisas que indicam avaliação de governo positiva e constante, simultaneamente, relacionando o mandatário à liderança, com sobras, nas intenções de votos, indicam para uma eleição de continuidade, e não de mudança – o que dificulta muito o trabalho de políticos opositores. Nestes casos, um recuo estratégico, visando uma disputa futura pode até ser considerado uma vitória política.

Partidos mais confiáveis

O Índice de Confiança Social, do IPEC, medido desde 2009, atribui nota de zero (nenhuma confiança) a 100 (confiança absoluta).

Os partidos políticos atingiram 34 pontos, sendo e melhor patamar nos últimos 13 anos.

A confiança no presidente da República atingiu 50 pontos, maior nível desde 2012.

Sobre o Congresso (Câmara e Sanado), o índice chegou 40, o mais alto desde 2009.

Já as Forças Armadas ocupam a pior posição da história no ranking, oscilando para a quinta colocação, após já ocuparem o segundo lugar.

Afinal, o que estes números dizem?

Em resumo que o clima de antipolítica ficou, de vez, no passado. Focar sua futura campanha em ser uma figura não-política, do meio empresarial ou do social já não é uma tática com garantia de conversão de votos.

O mesmo vale para a guerra de narrativas ideológicas, como os termos “fascistas” ou “comunistas”.

Em 2024, cada vez mais, o eleitor vai ser pragmático ao buscar a resposta para uma pergunta básica: “o que este sujeito (candidato) vai fazer para melhor a minha vida, a partir da rua onde moro?”.

Quem melhor respondê-la, observando o contexto político-eleitoral do pleito em cada município, vai ser o vencedor da disputa.

A pesquisa IPEC tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Foi realizada entre 1 e 5 de julho, com 2 mil entrevistados, 127 municípios do país.

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